Professores universitários e especialistas no aprendizado de línguas revelam quais os idiomas mais relevantes para o profissional se destacar no mercado de trabalho
Publicado em 14/12/2004 - 17:00
Por Renata Aquino
Conseguir o emprego dos sonhos está quase tão difícil quanto acertar na loteria. Depois de uma ótima graduação, especialização ou, até mesmo, cursos de extensão, o profissional ainda pode ser descartado por aquela empresa que tanto almeja. No entanto, uma arma secreta pode fazer com que o seu currículo não passe despercebido. O aprendizado de idiomas é um item utilíssimo para as empresas globalizadas e atitude que não deve ficar fora de qualquer planejamento profissional. Mas quais idiomas aprender? O Universia foi buscar a resposta.
Professores universitários e especialistas em idiomas para carreira não divergem. O inglês é o líder de pedidos no mercado. Esperanto do mundo globalizado, o inglês é considerado requisito básico para os profissionais de empresas médias e grandes.
Instrumental, específico ou cultural
O que muda no aprendizado do inglês é o foco. "O aprendizado do inglês instrumental é o mais procurado, pois soluciona um problema imediato do profissional carente de certa habilidade (ler, ouvir, falar ou escrever) em determinada situação", conta Cátia Pitombeira, coordenadora do Centro de Línguas Metodista e docente nos cursos de Secretariado Executivo Bilíngüe, Comércio Exterior, Administração Financeira, Letras e Turismo.
"A tendência é que o profissional busque um curso com objetivo definido a ser atingido em um curto período de tempo. O curso pode ser moldado conforme as necessidades desse aluno. Por exemplo, um profissional da área médica que vai a congressos de sua área no exterior precisa saber inglês para a compreensão oral das apresentações de trabalhos científicos, bem como para a apresentação oral de algum trabalho", conta Keila Carvalho, coordenadora do curso de Pós-Graduação em Ensino/Aprendizagem de Língua Inglesa da Unisa.
"O mais importante é tentar descobrir para que o profissional vai precisar da língua. A escola pode e deve avaliar quais são as necessidades específicas do aluno. Quando a pessoa busca uma escola de idiomas, ela deve procurar esse tipo de ajuda específica, uma espécie de consultoria ou orientação que deve continuar ao longo do tempo. Esse plano desenhado em conjunto pelo aluno e pela escola pode até mudar depois para absorver novas necessidades. O processo de aprendizado de idiomas nunca tem fim, só pode ser aperfeiçoado", esclarece Roland Zotele, gerente da área de idiomas do Senac-SP.
Os mais pedidos do mercado
É quando a busca de emprego se intensifica que o profissional percebe a necessidade de saber outro idioma além do líder de mercado, o inglês. "O profissional tem que pensar o que vai dizer quando vem a seguinte pergunta na ficha de seleção: qual idioma além do inglês você domina? Quanto mais idiomas você conhecer melhor, ser fluente em dois idiomas ajuda e muito no recrutamento", conta a coordenadora da Metodista, Cátia Pitombeira.
O espanhol ainda é o segundo mais pedido do mercado, os motivos continuam os mesmos. "O espanhol ainda é mais importante por causa da proximidade dos países de língua espanhola ao Brasil, mas essa necessidade vem decrescendo, houve um boom há doze anos atrás, quando foi anunciado o Mercosul, mas agora a busca decresce", conta Roland Zotele, gerente da área de idiomas do Senac-SP.
As outras línguas européias estão em empate técnico como terceira opção para quem procura se diferenciar no mercado de trabalho. "A escolha de outra língua depende de onde o profissional faz negócios", conta o gerente da área de idiomas de Senac-SP, Roland Zotele.
O alemão cresce em demanda na área tecnológica. "O estado de São Paulo é um dos locais do mundo que mais tem empresas alemãs, todas as multinacionais alemãs estão aqui e deve-se chegar a 900 empresas com capital alemão somente no estado, a área farmacêutica também é exige o aprendizado do idioma", afirma Zotele.
"O francês será sempre um diferencial por ter sido, até a década de 50, o idioma dominante no mundo sendo que, até hoje, há países europeus que, profissionalmente, consideram o francês no mesmo nível do inglês", conta Keila Reis, da Unisa.
Sushi ou frango xadrez?
Quem quer realmente se diferenciar no mercado pode apostar na tendência mais inovadora do aprendizado de idiomas: as línguas orientais. Japonês e chinês estão sendo cada vez mais valorizadas. O aprendizado, no entanto, é diferenciado.
"A demanda por japonês é focadíssima, apenas funcionários de empresas japonesas que precisam conhecer melhor a cultura japonesa e querem aprender termos básicos procuram o japonês", conta Roland Zotele, do Senac-SP.
O chinês vive um momento de expansão. "Na sociedade globalizada atual, mais e mais se vê a exigência de conhecimento de línguas, como diferencial no mercado de trabalho", conta a professora de chinês do programa de Línguas Estrangeiras da Universidade de Caxias do Sul, Márcia Schmaltz. "Deve haver uma crescente procura pelo chinês, que surge como grande diferencial. Há uma grande carência de profissionais que saibam falar chinês, especialmente engenheiros".
A professora deixa claro, no entanto, que "como a língua chinesa está distante da realidade de nossos alunos, a aprendizagem do chinês tem de começar do "zero", ou seja, desde o início, para depois conforme a necessidade do aluno se dirigir a áreas específicas".
O aprendizado de línguas orientais "mais do que dominar a língua quanto ferramenta é entender a linguagem como uma manifestação cultural. O aprendiz além de dominar a língua tem de ser um falante intercultural competente, deve saber como dizer e saber interpretar um enunciado para atingir os seus propósitos comunicativos", conta a professora Márcia.
Fonte: http://www.universia.com.br/carreira/materia.jsp?materia=5739
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